Ernesto Garschagen

outubro 22, 2009 by Nina Garschagen · 2 Comments 

Ernesto Garschagen

Ernesto Garschagen

Tributo à meu pai, ou melhor nosso pai.

Depois de instantes de hesitação, predispus a falar na forma escrita alguma coisa para você.

Pai, faz uma sema que você partiu de forma tranqüila, e também deixando-nos tranqüilos – para junto do criador.

Partiu deixando a certeza de sua missão cumprida; como marido, pai, avô, pai de filhos de coração (como meus irmãos: negros, sergipano, e outros que se distanciaram após tornarem-se adultos mas, pelo menos, sabendo ler e escrever – isso você sempre fez questão que eles aprendessem, ensinou-lhes a dirigir carros e um conhecimento básico em mecânica. O que sabia, ensinou-lhes. E eles eram meninos de rua!?).

Olha pai, tivemos muitas divergências, principalmente eu, por ser a mais velha, mas também fui muito paparicada por você chegando mesmo ao extremo de ser tratada como sua bonequinha, acho que era isso que imaginava que eu fosse quando exigia que me vestissem de cores clarinhas em vestidos de organdi; de tranças nos cabelos e laços de fitas nas extremidades, combinando com as roupas. Puxa, como eu odiava aquilo! Só me livrei disso já bem grandinha, até lembro dos meus primeiros vestidos coloridos e, depois que meus irmãos nasceram é que sua atenção se desviou um pouco de mim.

Você não foi herói, nem precisávamos que fosse, bastou-nos que tenha sido nosso pai, com seus erros e acertos, com suas intransigências, brigas, teimosias, mas com essa fonte inesgotável de amor. Se Deus não o tivesse criado, esse amor não existiria. Nestes últimos tempos fomos um pouco impacientes, reconhecemos, porém você estava irritante e irritado e sobrava sempre para a mamãe e sua irritação, sua grosseria, e nós a defendíamos porque ela também já não é tão jovem, sempre foi muito submissa e na sua doença você extrapolou os limites de nossa paciência.

Desculpe-nos ou melhor perdoe-nos.

Para suas netas, da mais velha à caçulinha, foi o avô que elas faziam de gato e sapato, deixava que passassem cuspe nos seus cabelos para fazer “penteados”, colocavam-lhe lacinhos, predendores de cabelos tipos xuxinhas, pintavam suas unhas de esmalte vermelho e, tudo você permitia. Foi por isso mesmo que a mais nova reclamou com Papai do Céu para não levar as pessoas que ela gosta. No entanto elas estavam lá, e estavam tranqüilas, apesar de uma delas não ter querido vê-lo ali, preferiu guarda-lo na lembrança com vida, mesmo assim demonstro-lhe o seu amor do modo que ela achou mais viável.

Sei que seu coração sempre foi aberto para a paz, para a bondade, para a simplicidade, para a alegria, para a generosidade, para o amor. E é por isso que estamos sentindo e vamos sentir mais ainda muitas saudades de você. Em todos fim de tarde sua lembrança voltará sempre forte; porque tudo nasce, cresce, se desenvolve, morre, e se refaz natural e gradativamente em nosso pensamento. Temos absoluta certeza de que está na gloriosa e maravilhosa presença de Deus.

Sabe pai, quero lhe dedicar duas frases que alguém escreveu e acho que se encaixam totalmente em tudo o que você foi para todos nós.

“Ainda bem que os filhos não podem escolher se pai. Já imaginou a filha para escolher você?”

“Pai, é quem busca dar abrigo ao filho e protegê-lo até onde seja possível”.

Obrigada pai, muitos beijos de todos nós. Até um dia!

Saudades de sua esposa, seus filhos, suas netas, seu genro, sua futura nora, seus filhos – noras – netos de coração, seus irmãos, cunhadas, sobrinhos e amigos que sempre soube preservar.

Edilamar

16 de Julho de 1997 e hoje 23 de Julho de 1997.

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2 Responses to “Ernesto Garschagen”
  1. Tio Ernesto era um tio incrivel,divertido e carinhosa.Era o preferido de minha mãe e iemã dele,Anna….

  2. Tio Ernesto era um tio incrivel,divertido e carinhoso.Era o preferido de minha mãe Anna,irmã caçula dele…

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